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outubro 16, 2021

© Shutterstock

Medicamento para o câncer é 100% eficaz contra malária em ensaio clínico


O Imatinibe é normalmente utilizado no tratamento de leucemia mielóide crônica ou para tumores gastrointestinais, e agora revelou ser eficaz contra a malária no decorrer de um ensaio clínico de fase 2, segundo um estudo divulgado no Journal of Experimental Medicine, reporta um artigo publicado na revista Galileu. Em junção ao tratamento tradicional contra a doença parasitária, o medicamento eliminou em 48 horas o parasita Plasmodium em 90% dos doentes e em 100% deles no período de três dias. 

O fármaco que pertence ao grupo farmacêutico Novartis atua ao bloquear as enzimas envolvidas no crescimento dos tumores cancerígenos, no entanto consegue igualmente impedir a disseminação do Plasmodium.

Os pesquisadores notaram essa segunda função em culturas de células humanas. Então decidiram testar em voluntários o Imatinibe junto ao tratamento padrão, que consiste em uma combinação das drogas piperaquina e diidroartemisinina. Os testes ocorreram com pacientes da província de Quang Tri, no Vietnã, onde existem indícios de que o parasita da malária adquiriu resistência contra remédios.

Na pesquisa, foi possível observar que 33% dos pacientes tratados com a terapia padrão (sem o suplemento de Imatinibe) ainda apresentavam parasitas na corrente sanguínea após três dias. “As taxas de eliminação atrasadas são um precursor e um indicador da resistência potencial aos medicamentos, que tem sido um problema com a malária por décadas”, analisa Philip Low, líder do estudo, em comunicado.

Com isso, os cientistas acreditam que o Imatinibe possa ajudar a melhorar a terapia tradicional contra a malária. Os pacientes medicados com o novo tratamento tiveram um alívio de suas febres em menos da metade do tempo do que aqueles indivíduos que passaram apenas pelo tratamento padrão sem a droga.

O parasita da malária é transmitido pela picada de mosquitos, como o do gênero Anopheles. A doença infecta os glóbulos vermelhos do sangue e se reproduz, ativando uma enzima que desencadeia a ruptura da célula e a liberação de uma forma parasitária chamada merozoíta na corrente sanguínea.

O novo tratamento visa impedir a ação dessa enzima, o que ajuda na eficiência contra variantes do Plasmodium. “Como estamos visando uma enzima que pertence ao glóbulo vermelho, o parasita não pode sofrer mutação para desenvolver resistência ele simplesmente não pode sofrer mutação nas proteínas de nossas células do sangue”, explica Low.

O próximo passo da equipe é conseguir aprovação da agência federal dos EUA, Food and Drug Administration (FDA), para a realização de uma fase 3 de testes. “O FDA é tão amplamente respeitado em todo o mundo que, se aprová-lo, quase todas as outras nações, especialmente os países em desenvolvimento que sofrem de malária, adotarão o tratamento rapidamente”, diz o pesquisador.

Informações NMBR.

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