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outubro 28, 2021

© Shutterstock

Entenda a narcolepsia, distúrbio do sono que a cantora Pocah descobriu ter


Após virar meme na internet durante a 21ª edição do Big Brother Brasil (Globo) por dormir muito ao longo dos dias, a cantora Pocah, 26, revelou em suas redes sociais que recebeu o diagnóstico de narcolepsia, distúrbio que provoca sonolência excessiva diurna, e agora começou seu tratamento.

Lúcio Huerba, neurologista do Hospital Sírio Libanês, explica que a narcolepsia é considerada uma doença neurológica do sono rara e os portadores do distúrbio enfrentam problemas em receber o diagnóstico correto. “Ela acomete de 10 a 50 pessoas a cada 10 mil. Além de ser rara ainda é muito subdiagnosticada.”

Huerba diz que existem cinco sintomas “mais clássicos” para o diagnóstico do distúrbio, dentre eles estão: sonolência excessiva diurna, cataplexia perda de força muscular em especial após uma situação emocional intensa, sem perder a consciência-, paralisia do sono, alucinações e ter o sono noturno fragmentado.

“O principal sintoma é a sonolência excessiva diurna”, completa Paula Vallegas, neurologista especialista em medicina do sono. Huerba diz que o sintoma se manifesta através de ataques de sono, onde o “indivíduo tem de forma súbita um sono irresistível e acaba dormindo em situações mais monótonas ou até inadequadas”.

O neurologista comenta que quando o paciente dorme, faz cochilos curtos, de alguns minutos, e acorda se sentindo revigorado. “É diferente de outras síndromes ou doenças que também levam a sonolência excessiva diurna.”

Quanto às alucinações, Vallegas explica que existem dois tipos: “Quando está entrando no sono, chamadas alucinações hipnagógicas, ou na transição do sono para a vigília, no despertar, chamadas hipnopômpicas”.

Huerba diz que o mais comum, quando se tem as alucinações, é enxergar imagens aterrorizantes, como fantasmas, bruxas ou monstros e existem casos em que essas visões acontecem durante a paralisia do sono, o que pode ser traumatizante para o paciente.

Pocah não detalhou como a narcolepsia se manifesta nela, mas afirmou que está “tratando isso e algumas outras coisas como TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade] e ansiedade”. “Minha prioridade agora está sendo cuidar de mim. Para que quanto antes eu possa retomar a minha vida ‘normal’. Achei importante compartilhar isso com vocês”, afirmou ela nas redes sociais.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Huerba diz que após identificar os sintomas, existem exames confirmatórios. Vallegas completa que é necessário realizar um diagnóstico diferencial para não confundir o distúrbio com outras doenças ou hábitos que possam causar a sonolência excessiva diurna.

Ela explica que geralmente se pede ao paciente para relatar os horários de sono ao longo do mês e exames como actigrafia do sono ou polissonografia noturna. Na actigrafia, são monitorados os momentos em que o paciente cochilou ou dormiu.

Já a polissonografia noturna consiste no monitoramento do sono do paciente durante uma noite no laboratório. “Conseguimos ver se o paciente possui outros distúrbios do sono, que entrariam como diagnóstico diferencial”, diz Huerba, “no dia seguinte ele segue monitorizado para ver o comportamento em relação ao sono no mesmo dia”.

O neurologista explica que no dia seguinte após o exame, são dadas cinco oportunidades para o paciente cochilar, então é analisado quanto tempo o indivíduo demora para entrar no sono. “Vemos se entra em um dos sonos profundos, o sono REM.”

Vallegas explica que o sono REM (Rapid Eye Moviment) é “a fase do sono mais profunda, onde temos o movimento rápido dos olhos e geralmente ocorrem os sonhos”. Huerba afirma que os portadores de narcolepsia entram no estágio REM precocemente.

Além dessas opções, existe um exame mais invasivo, segundo Vallegas. Huerba explica que “é feito através da pulsão lombar, nós avaliamos o liquor se os pacientes têm um peptídeo reduzido, chamado hipocretina”. O neurologista diz que a hipocretina pode ser o mecanismo que causa todos os sintomas, “uma vez que ela esteja baixa, o paciente desenvolve esses sintomas”.

Sabe-se que existem duas categorias da doença: a narcolepsia tipo 1 que apresenta os sintomas e a baixa da hipocretina, e a tipo 2, que também possui os critérios diagnósticos, “mas não tem a cataplexia e a hipocretina ou está normal, ou não se sabe”.

A causa mais conhecida é a da narcolepsia tipo 1. A teoria diz que “pessoas com pré-disposição genética, quando expostas a algum antígeno ou infecção, desenvolvem a autoimunidade e então o corpo produz anticorpos contra uma área específica do cérebro chamado hipotálamo lateral, que produz a hipocretina”.

A falta do peptídeo deixaria o sono fragmentado, e seria a principal causa dos cinco principais sintomas, também por desestabilizar o sono REM. Apesar de não possuir cura, o distúrbio tem tratamento, e segundo Huerba ele é focado nos sintomas.

“Ele pode ser farmacológico ou não farmacológico”, explica o neurologista. “Do ponto de vista não famacológico, orientamos uma higiene do sono, evitar estimulantes próximos do horário de dormir à noite, ter uma boa rotina, atividade física e fazer cochilos programados.”

O médico diz que quanto aos métodos famacológicos, são prescritas medicações com o efeito estimulante para retardar e amenizar a sonolência excessiva durante o dia, e para os outros sintomas são usados medicamentos com efeitos inibidores do sono REM, “a classe mais usada são alguns anti-depressivos”.

Informações Folhapress.

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