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maio 10, 2021

© Reuters

Governo tenta evitar que CPI vire palanque para Mandetta


O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) será o primeiro a prestar depoimento na CPI da Covid, na próxima terça-feira (4), e o governo trabalha agora para tentar evitar que ele use a comissão parlamentar de inquérito no Senado como palanque eleitoral para 2022.

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A força-tarefa montada no Palácio do Planalto para levantar dados a serem usados nas audiências mobiliza servidores da Casa Civil, da Secretaria de Governo, da Secretaria-Geral e da Secom (Secretaria de Comunicação)”.

Integrantes do grupo de trabalho do Planalto admitem que estão promovendo um pente-fino em atos da gestão de Mandetta, hoje desafeto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A ideia é restringir as perguntas feitas a Mandetta ao período em que ele esteve à frente da Saúde, para evitar, segundo governistas, que o ex-auxiliar se transforme em uma espécie de comentarista político de ações tomadas por Bolsonaro após sua saída do cargo.

“O ex-ministro e o atual devem responder sobre seus períodos no ministério. Quando estava à frente, como fez? Qual o resultado?”, disse o senador Marcos Rogério (DEM-RO), um dos principais nomes da tropa de choque governista na comissão.

Também é uma forma de apresentar Mandetta como copartícipe da estratégia inicial de enfrentamento à Covid da administração Bolsonaro, o que diminuiria sua credibilidade como crítico de medidas tomadas pelo presidente.

O plano é instruir a tropa de choque do governo a evitar ataques ao ex-ministro e só partir para a ofensiva caso ele adote um tom incisivo contra Bolsonaro.

Mandetta deve ser alvo de críticas por medidas como a orientação sobre quando procurar assistência médica, como Bolsonaro faz questão de lembrar frequentemente.

O discurso de Mandetta na posse de seu substituto, o oncologista Nelson Teich, tem sido analisado por funcionários no Planalto.

Além de o Mandetta daquele dia estar distante da postura crítica que viria a adotar meses depois, ele apontou na ocasião um tema que deve virar mantra para os governistas na CPI: as dificuldades que outros países vinham enfrentando para acessar equipamentos básicos como máscaras e respiradores.

Congressistas e até mesmo auxiliares de Bolsonaro já não descartam que Pazuello possa acabar abandonado pelo governo para proteger o presidente.

A Folha procurou Mandetta para comentar os assuntos abordados nesta reportagem, mas o ex-ministro afirmou que não se manifestaria em respeito aos senadores.

A estratégia de atuação dos governistas deve ser discutida nesta segunda-feira (3).

Até o fim da semana passada, congressistas da tropa de choque de Bolsonaro reclamavam que estavam desabastecidos de informações para usar como arma contra a maioria do colegiado dos 11 integrantes da comissão, apenas 4 defendem o Planalto.

Também há relatos de ruídos provocados pela disputa entre os ministros Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), desafetos ao menos desde o início do ano passado.

Pessoas próximas a Onyx atribuem ao general Ramos, então titular da Secretaria de Governo, a saída de Onyx da Casa Civil no início de 2020.

À época, a pasta foi ocupada pelo general Walter Braga Netto, agora no comando do Ministério da Defesa.

No fim de fevereiro deste ano, Onyx foi empossado na Secretaria-Geral. Ao retornar ao Planalto, ficou evidente para servidores que a mágoa com Ramos ainda não foi sanada, e os dois travam uma disputa de poder e influência.

O líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), afirma que, no escopo atual, a CPI deveria converter-se numa “investigação internacional”.

“Todas as mazelas que a CPI busca explorar no Brasil fazem parte de uma realidade mundial, não é exclusividade do Bolsonaro”, afirma.

Embora seja um adversário de Bolsonaro, Mandetta não é o depoimento mais problemático da semana, na avaliação de aliados. Ainda na terça-feira, será ouvido Teich. No dia seguinte, fala o ex-ministro Eduardo Pazuello, general que comandou a Saúde no período mais latente do negacionismo de Bolsonaro.

Interlocutores opinam que a participação de Pazuello tem potencial de gerar forte desgaste para o governo.

Diferentemente de Mandetta e Teich, o general não criou qualquer obstáculo para o incentivo do uso da hidroxicloroquina e da azitromicina como medicamentos para o tratamento da Covid, mesmo sem eficácia comprovada.

Ainda em 2019, Pazuello também acatou a ordem de Bolsonaro de cancelar a aquisição de doses da Coronavac. A vacina é trunfo político do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e hoje é a mais usada no Plano Nacional de Imunização.

Depoimentos agendados para esta semana

Luiz Henrique Mandetta”
ex-ministro da Saúde
Quando” terça-feira (4)

Nelson Teich”
ex-ministro da Saúde
Quando” terça-feira (4)

General Eduardo Pazuello”
ex-ministro da Saúde
Quando” quarta-feira (5)

Marcelo Queiroga”
ministro da Saúde
Quando” quinta-feira (6)

Antonio Barra Torres”
diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
Quando” quinta-feira (6).

Informações Folhapress.

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