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Caso Gabriel Monteiro: vereadores denunciam ataques em redes sociais


Vereadores do Conselho de Ética que investigam possível quebra de decoro parlamentar do vereador Gabriel Monteiro (PL) denunciaram estar sofrendo ataques em massa de seguidores do acusado nas redes sociais. Nesta quinta-feira (9), eles ouviram duas testemunhas de defesa: o perito Leandro Lima e o policial militar Bruno Novaes Assumpção, que faz a escolta do parlamentar.

Os integrantes do conselho anunciaram que vão procurar a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) para denunciar as ameaças que têm recebido nas redes sociais. O relator do processo (imagem em destaque), vereador Chico Alencar (Psol), informou que já recebeu mais de 300 ameaças. Uma varredura em busca de escutas também será realizada nos gabinetes dos integrantes do conselho, por suspeita de que estejam sendo monitorados.

O vereador Alexandre Isquierdo (União), presidente do conselho, explicou que o vídeo apresentado hoje pela defesa de Gabriel Monteiro, periciado por Leandro Lima e analisado pelo psicólogo Rodrigo Pimenta de Matos, não é o mesmo juntado aos autos da representação e que, portanto, não tem valor jurídico.

Nas imagens originais, Monteiro aparecia aparentemente acariciando uma menor, convidada por ele para higienizar a cabeça e retirar piolhos, em um vídeo que o vereador veiculou em suas redes sociais.

“Como foi requerido pela defesa a presença do perito e a análise feita pelo psicólogo, fizemos a oitiva para assegurar a ampla defesa. Embora a cena seja muito semelhante àquela em que o vereador leva a menina no salão de cabeleireiro, não era efetivamente o vídeo que consta nos autos. Por isso, para além da formação da opinião dos membros do conselho, não terá utilidade”, disse Isquierdo.

Na próxima terça-feira (14), serão ouvidos os assessores Rafael Murmura Angelo e Miquéias Arcênio. Já no dia 21, será a vez de Pablo Foligno e o delegado da 42ª Delegacia de Polícia, Luis Maurício Armond Campos. Gabriel Monteiro deverá ser ouvido pelo conselho ainda no mês de junho.

Concluída a tramitação no conselho, havendo parecer favorável à denúncia, o processo será encaminhado à Mesa Diretora e incluído na ordem do dia. A punição é deliberada em votação aberta no Plenário, com direito a fala dos parlamentares e da defesa durante a sessão, decidida por dois terços dos vereadores (34 votos) em caso de cassação, ou maioria absoluta em caso de suspensão.

Com o recesso parlamentar no mês de julho, o final dos trabalhos deve ocorrer na primeira semana de agosto.

Os advogados do vereador esclareceram que, quando o parlamentar contratou o perito Leandro Lima, que prestou depoimento hoje, a defesa ainda não tinha tido acesso ao vídeo apensado ao processo, porém o material analisado é o mesmo que foi publicado nas redes sociais do parlamentar e divulgado na imprensa, com o mesmo cenário e personagens.

De acordo com o perito, o vídeo em que Gabriel Monteiro aparece com uma criança em um salão de beleza teve um trecho manipulado com o intuito de acusá-lo injustamente de estar acariciando a mesma, quando, na verdade, ele a leva ao salão porque seu cabelo estava repleto de piolhos, impedindo-a, inclusive, de frequentar a escola.

Quanto às ameaças recebidas, a defesa disse que, em nenhum momento, os vereadores afirmaram estar recebendo ameaças do vereador, mas, sim, e provavelmente, de seus seguidores.

As informações são do Agência Brasil