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julho 27, 2021

© Getty Images

Polícia invade jornal de oposição e prende jornalistas na Nicarágua


O escritório onde funciona o jornal El Confidencial, que faz oposição à ditadura de Daniel Ortega, na Nicarágua, foi cercado e invadido pela polícia na tarde desta quinta-feira (20) na capital, Manágua. Há relatos de jornalistas presos o fotógrafo e cinegrafista Lionel Gutiérrez, do próprio jornal, e funcionários das agências AFP e EFE que estavam cobrindo o cerco ao prédio.

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A informação foi primeiro publicada no Twitter pelo diretor do veículo, Carlos Fernando Chamorro, o principal jornalista nicaraguense e voz mais importante contra a ditadura no país.

Desde as manifestações de abril de 2018, o Confidencial e outros meios de comunicação de oposição têm sofrido perseguição por parte do governo e ameaças de prisão.

A imprensa local também relata sofrer pressão para não veicular reportagens com os números de infectados e mortos pelo coronavírus. Segundo epidemiologistas, a pandemia tem afetado mais pessoas do que o governo divulga oficialmente.

A antiga Redação do Confidencial já havia sido confiscada em 2018, e Chamorro chegou a se refugiar na Costa Rica por vários meses.

Alguns dos jornalistas que permaneceram no país foram presos, como Miguel Mora, diretor da emissora 100% Notícias, ficou detido por mais de um ano sob acusação de “fomentar e incitar o ódio e a violência”.

Aos policiais, que entraram no edifício depois de mantê-lo cercado durante um tempo, Chamorro pediu que preservassem o material de trabalho e a integridade dos jornalistas. Segundo as informações disponíveis, ele não está no prédio neste momento.

Os novos avanços contra a imprensa ocorrem a seis meses da eleição presidencial, marcada para novembro, que decidiria um sucessor para Ortega. Os partidos de oposição não estão habilitados para participar do pleito. Se o próprio Ortega não for candidato a reeleição indefinida está aprovada em seu mandato, quem deve concorrer é sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo.

Outros meios de comunicação que vêm sofrendo ataques do regime são o canal 12, que foi expropriado, o Nuevo Diario, que foi fechado, e as instalações onde antes funcionavam o 100% Notícias e o Confidencial. Além disso, houve o assassinato do jornalista Ángel Gahona.

Em entrevistas recentes, Chamorro havia chamado a atenção para a necessidade de a imprensa internacional observar o processo eleitoral nicaraguense. “Se não for assim, a única observação independente dessas eleições será feita pela imprensa, se é que nos deixam atuar até lá.”

A presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Antonia Urrejola, afirmou que os ataques contra jornalistas “estão se intensificando, o que preocupa diante do processo eleitoral que o país vai atravessar”.

A escalada de autoritarismo do regime de Ortega começou em abril de 2018, após a promulgação de um pacote de cortes em pensões.

As manifestações contrárias foram reprimidas de forma violenta. A estimativa é de mais de 300 mortes, e 500 pessoas permanecem presas, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos.

O jornalista Carlos Fernando Chamorro é figura pública de importância no país centro-americano pela história de sua família e suas trajetórias política e jornalística.

Seu pai, Pedro Joaquín Chamorro (1924-1978), foi editor do La Prensa, único jornal de oposição durante a ditadura dos Somoza. Acabou sendo assassinado.

Sua mãe, Violeta Chamorro, participou do movimento para derrotar o último dos Somoza e foi presidente entre 1990 e 1997.

Durante o governo de sua mãe, Chamorro dirigia o Barricada, o órgão de apoio do partido oficial do sandinismo, que havia tomado as rédeas da Revolução Sandinista (1979). Nessa época, era próximo a Ortega, um dos líderes da revolução.

“O sandinismo era algo defensável, mas traiu todas as suas bandeiras. Fez alianças com a direita, caminhou para a direção antidemocrática de almejar ser um país de partido único, não avança em termos de direitos civis e reprime opositores. Virou uma ditadura”, afirmou em entrevista ao jornal brasileiro Folha de S.Paulo em 2019.

O governo da Nicarágua está investigando Cristiana Chamorro, irmã do jornalista, por suposta lavagem de dinheiro, por meio da Fundação Violeta Barrios de Chamorro.

Cristiana, que também é jornalista, havia se proposto a disputar as eleições de novembro, embora o regime busque inibir sua candidatura. Para Carlos Dada, jornalista do jornal El Faro, considerado o principal meio centro-americano, “a ação desta quinta é claramente uma ação direta para atingir a família Chamorro”.

Informações Folhapress.

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