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Novo líder da Coreia do Sul pede para Pyongyang abandonar arsenal nuclear em troca de ajuda econômica


O novo presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, tomou posse nesta terça-feira (10). Em seu discurso, o novo chefe de Estado pediu para a Coreia do Norte abandonar seu arsenal nuclear em troca de uma ajuda econômica  em larga escala. As relações entre os dois vizinhos atravessam um período de fortes tensões.

O novo presidente realizou, na noite de terça-feira, uma primeira reunião com os mais altos dirigentes do Estado-Maior do país, em um bunker subterrâneo na sede da presidência.  

No discurso inaugural na Assembleia Nacional de Seul, Yoon pediu à Coreia do Norte que renuncie a todo seu arsenal nuclear, que descreveu como uma ameaça para a segurança global.

Se Pyonyang “entrar genuinamente em um processo para sua desnuclearização completa”, o novo presidente sul-coreano afirmou que está disposto a apresentar “um plano audacioso” para ajudar a empobrecida economia da Coreia do Norte e melhorar o nível de vida de sua população.

Yoon, um conservador de 61 anos, chega ao poder ao mesmo tempo em que a Coreia do Norte realiza uma série recorde de 15 exercícios militares, que começaram em janeiro. Seul e Washington suspeitam que Pyongyang quer retomar testes nucleares.  

Diálogo

“A porta do diálogo ficará sempre aberta para que possamos resolver pacificamente esta ameaça”, afirmou. “Hoje, enfrentamos diversas crises”, acresentou, citando a pandemia de Covid-19, os problemas na cadeia mundial de abastecimento e os conflitos no planeta que, segundo ele, “colocam uma sombra sobre nós”.

Mas os “coreanos não se rendem jamais. Nós nos tornamos mais fortes e mais sábios”, afirmou.

Para Park Won-gon, professor na Universidade Ewha, a oferta de Yoon de ajudar economicamente a Coreia do Norte é uma ideia “ultrapassada”. Desde 2009, a Coreia do Norte diz que não renunciará às armas nucleares contra incitações econômicas”, explica Park, acresentando que “o comentário de Yoon deve apenas irritar Pyongyang, que interpretará isso como um ataque”.

O presidente também prometeu uma política externa mais robusta para seu país, que representa a 10ª economia mundial, após as tentativas frustradas de reaproximação com o Norte que marcaram o mandato de seu predecessor, Moon Jae-in.

Na sequência da vitória, Yoon se comprometeu a “tratar com severidade” a ameaça representada pelo regime de Kim Jong Un. Durante a campanha eleitoral, ele chamou o presidente norte-coreano de “menino mal-educado”, dizendo aos eleitores: “se vocês me derem uma chance, eu ensinarei a ele boas maneiras”.    

Yoon também indicou que busca uma relação mais sólida com os Estados Unidos, o principal aliado do país diante da Coreia do Norte. O presidente Joe Biden é esperado na Coreia do Sul no fim de maio.

A delegação americana na posse foi liderada por Douglas Emhoff, marido da vice-presiente Kamala Harris. Japão e China, com quem Yoon quer suavizar relações às vezes tensas, enviaram representantes.

Baixa popularidade

No plano interno, a frustração crescente da opinião pública com o governo liberal de Moon Jae-in parece ter incentivado os votos em Yoon. Moon ganhou a eleição de 2017 prometendo um programa baseado na igualdade de oportunidades, após o impeachment de Park Geun-hye, envolvida em um escândalo de corrupção.

Mas depois, ele foi acusado de indulgência com seus próprios aliados, que admitiram ter cobrado subornos, e criticado pelas políticas econômicas do governo que, para os sulcoreanos, agravaram as desigualdades no país.

Yoon não terá um mandato fácil e assume o poder com uma taxa de popularidade de 41%, uma das mais baixas da história democrática da Coreia do Sul para um início de mandato, de acordo com uma pesquisa recente do instituto Gallup. Uma das razões, segundo o estudo, é a decisão do líder de transladar a sede da presidência do Palácio Azul para a antiga sede do ministério da Defesa no centro de Seul.

As informações são do RFI