Carla Bejani/Divulgação

Motorista de aplicativo é inocentado após ficar quase 1 ano preso em Juiz de Fora


Depois de 11 meses preso em Juiz de Fora acusado de tráfico de drogas, o ex-motorista de aplicativo, José Adriano de Souza Lima, de 45 anos, foi inocentado em sentença divulgada pela 2ª Vara Criminal do município na última semana.

Em entrevista ao g1 nesta quinta-feira (12), José Adriano contou que o período foi muito difícil para ele. Solto na tarde da última sexta-feira (6), o ex-motorista já está no Rio de Janeiro ao lado da família.

“Foi muito difícil porque eu nunca fiz nada de errado. Estar em um lugar em situação precária e com cela cheia de umidade. A comida vinha azeda e ao lado de pessoas que eu nunca vi na minha vida”, relatou.

Em junho do ano passado, José Adriano e Tairiny Cristini Duarte Custódio foram presos em uma blitz da Polícia Rodoviária Federal na BR-040, em Juiz de Fora. Eles vinham do Complexo do Alemão (RJ) com destino ao município de São Tiago, no Campo das Vertentes.

Durante a abordagem da PRF, foram localizados 329 pinos de cocaína, 202 frascos da mesma droga e 267 invólucros de maconha, que estavam nas mochilas da jovem.

“Eu nunca vi ela na minha vida. Apenas aceitei a corrida e eu sempre falei isso, tentei explicar, falei para olharem o meu telefone, mas não quiseram ouvir”, disse José Adriano.

‘A cadeia acabou com ele. Está mais magro e abalado’

A fala acima é da advogada que defendeu o ex-motorista, Carla Bejani. Ela contou que foram quatro audiências de instrução e julgamento, diversos pedidos de liberdade provisória e habeas corpus até conseguir sentença de absolvição do cliente.

A esposa de José Adriano, Neide Zampolli, também contou que o esposo está muito diferente do que era antes de ser preso.

“Ele tá assustado e não gosta de tumulto. Os amigos queriam fazer festa para ele e ele não quis e só o tio dele que fez uma brincadeirinha para ele, mas ele tá muito agoniado. Fica falando o tempo todo do presídio e chora muito. Ele está um pouco melhor, mas a cadeia acabou com ele, chora muito”, afirmou.

Sentença

Conforme o documento o qual o g1 teve acesso, o juiz Edir Guerson de Medeiros cita que não ficou comprovada a participação de José Adriano no crime e que as provas apresentadas pela empresa de aplicativo 99 comprovam que ele era motorista na época.

“Isto posto e por insuficiência de provas para condenação, deverá ser o acusado absolvido […] Além disso, verifico que o acusado ficou preso preventivamente por 11 meses […] entendo que o período em que passou na prisão é o suficiente para que não reincida na conduta delitiva”, citou a sentença

A passageira foi condenada a 9 anos de prisão em regime fechado, além do pagamento de multa. À reportagem, o advogado da jovem, Ulisses Sanches da Gama, informou que ainda não foi intimido da sentença, “mas que tão logo seja irá seguir os tramites processuais, onde recorrerá da decisão”.

As informações são da  Victória Jenz, g1 Zona da Mata — Juiz de Fora