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setembro 29, 2020

© Reprodução

Família é expulsa de voo por causa de doença de pele de criança


Uma família foi retirada de um voo da GOL em Aracaju devido a uma doença de pele rara não contagiosa em uma menina de dois anos. A criança estava indo para São Paulo com os pais e com o avô para buscar atendimento médico. O caso aconteceu na madrugada de domingo (26/01). Conforme o pai da menina, Marcus Vinicius Alexandre Silva, 28 anos, a família já estava acomodada dentro da aeronave quando foi abordada por um tripulante.

“Ele passou por nós, olhou para minha filha, baixou a cabeça e perguntou baixo: “é catapora?” Minha esposa disse que não. Daí ele disse: “parece que é contagiosa”. Minha esposa voltou a negar. Em seguida, ele saiu”, conta Silva. Outro comissário de bordo se aproximou, perguntou quantas malas havia no bagageiro e, após a resposta, distanciou-se da família. “Eles voltaram e pediram para a gente se retirar do avião e conversar lá embaixo. Disseram que era uma doença contagiosa e estavam seguindo determinação da Anvisa.”

A menina tem ictiose, uma doença genética caracterizada pelo intenso ressecamento e descamação da pele. Durante a discussão no voo, os pais chegaram a apresentar biopsia que atestava a doença, mas sem sucesso.

A enfermeira Maria Helena Mandelbaum estava no mesmo voo e tentou ajudar a família. “Eu expliquei aos comissários que a doença não é contagiosa. Mostrei fotos do Google e argumentei de toda forma possível que a ictiose não é contagiosa.” Um outro passageiro, com sotaque americano, reclamou da situação e disse que família estava atrasando o voo. O comandante foi chamado, olhou para criança e disse que a família tinha que desembarcar.

Maria Helena questionou qual norma estava sendo seguida. “Ele disse que era proibido transporte de pessoas com doença contagiosa. Eu reafirmei o que já tinha dito, e até me propus a fazer uma declaração de que a ictiose não é contagiosa. A família é muito humilde, não poderia perder a viagem e a consulta. Ele disse que não poderia aceitar pois ‘a senhora não é médica, é só uma enfermeira'”, conta.

Segundo o pai da criança, a situação ficou tensa e a menina começou a chorar. “Um funcionário disse “ou vocês saem por bem ou por mal. Se não saírem vamos chamar a Polícia Federal. Nisso a gente saiu. Pensa na vergonha que a gente passou na frente de 200 pessoas que estavam no voo. A gente se sentiu um lixo”, conta Silva. No guichê de atendimento, funcionários da Gol exigiram a apresentação de laudo atestando que a doença não era contagiosa para entrar no próximo voo. A família saiu às pressas em direção ao Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE), onde conseguiram a declaração.

De volta ao aeroporto, encontraram o guichê da empresa vazio, mas acabaram conseguindo embarcar no voo das 11h20 sete horas após o voo inicial. A família mora em Girau do Ponciano (AL) e foi para Aracaju, a 155 quilômetros, apenas para pegar o voo, já que era direto para São Paulo. A família decidiu ir para SP após as manchas se espalharem pelo corpo e atingirem o rosto da menina, o que causou preocupação e forçou-os a procurar atendimento especializado. Os primeiros sintomas da doença começaram a se manifestar nela com 15 dias de vida, apenas na boca.

Ao chegar a São Paulo, a família conseguiu atendimento no hospital da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde a menina ficou internada de segunda-feira (27) para terça-feira (28). Eles devem permanecer até começo de fevereiro no Estado, para aguardar o resultado de mais uma biopsia na menina.

O advogado da família Gilson José da Silva afirmou que, neste momento, a preocupação é com a saúde da menina. Entretanto, a defesa deve ingressar com uma ação por danos morais contra a Gol.

Em nota, a GOL informou que a família foi retirada do voo por não apresentar atestado médico informando sobre a doença como é recomendado pela Anac. A companhia informou que ofereceu o suporte necessário, como transporte de ida e volta até um hospital local para obter o atestado com o diagnóstico da doença. “A GOL reforça que todo passageiro com doença infectocontagiosa ou genética deve apresentar um atestado médico que especifique a ausência de risco para contágio, como é recomendado pelos órgãos regulatórios. Tal procedimento visa garantir a segurança e saúde de todos os viajantes”, explicou a nota.

A Anvisa informou, por meio da assessoria de imprensa, que não possui regulamentos que estabeleçam esse tipo de restrição quanto à viagem de portadores de doenças. “Já as companhias aéreas podem, a seu critério, impedir embarques ou mesmo que passageiros continuem nos voos”, explicou o órgão.

As informações são do UOL.

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