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maio 28, 2020

Reprodução / TV Globo

Empresários estão entre os mais de 15 presos em operação contra furto de combustíveis


A Polícia Civil faz, desde as primeiras horas da manhã de quinta-feira, a Operação Saccularius, contra uma quadrilha de furto e adulteração de combustíveis, que age em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. São 17 mandados de prisão preventiva, 14 de busca e apreensão em empresas e residências dos investigados e outros 15 de busca e apreensão de caminhões-tanques utilizados no transporte de combustível.

Até o momento, 18 pessoas foram presas, dentre elas duas em flagrante. Dentre os capturados, estão três empresários, responsáveis pelo fretamento de combustíveis, através de empresas legais.

ATUAÇÃO

De acordo com as investigações, a organização criminosa usava as empresas para fazer o transporte dos combustíveis. No entanto, parte da carga era desviada para diversas garagens de Caxias. Esses locais são conhecidos como “‘biqueiras” e são usados para comércio clandestino.

Os desvios eram feitos depois que os caminhões eram carregados na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). A quantidade furtada variava, desde as chamadas “cotinhas”, de 60 a 120 litros, à grande carregamentos de mil litros. Nesses casos, o conteúdo do caminhões-tanques era diluído com solventes, fazendo assim a adulteração do combustível.

Ainda segundo a Polícia Civil, as carretas deixavam as distribuidoras e seguiam para a garagem das empresas e de terceiros, onde era feito o furto parcial da carga. De lá, o combustível seguia para a entrega final, geralmente em postos de combustíveis ou empresas que usam geradores, como hospitais.

CÂMERAS E MONITORAMENTO

A investigação comprovou que durante o carregamento dos caminhões, ainda nas distribuidoras, as câmeras e os equipamentos de rastreamento dos veículos eram desligados. Assim, eles seguiam para o local do furto e adulteração, tendo seu lacre rompido e depois recolocado. 

As carretas, então, retornavam às distribuidoras, onde os equipamentos eram religados para seguir normalmente para a entrega planejada.

R$ 2 A R$ 3 O LITRO

A quadrilha desviava diariamente milhares de litros de álcool, gasolina, óleo diesel, lubrificantes e combustíveis para abastecimento de navios.

O material furtado era usado para abastecer os próprios caminhões-tanques, outros veículos das garagens usadas e revendidos a diversos receptadores. O preço do litro variava de R$ 2 a R$ 3, fazendo com que o faturamento mensal do bando chegasse a R$ 4 milhões.

FUNCIONÁRIOS TRABALHANDO ‘DE GRAÇA’ 

O crime era tão lucrativo que algumas pessoas que trabalhavam para os empresários não tinham salário e vínculo trabalhista formal. Eles tinham sua renda através de parte do combustível furtado, chegando a lucrar R$ 6 mil por semana.

“A organização criminosa atuava sobretudo em razão da falta ou deficiência na fiscalização dos clientes sobre a quantidade e qualidade do combustível comprado, além da omissão de distribuidoras em comunicar a polícia subtrações constatadas junto a seus clientes, acarretando apenas suspensão temporária do motorista vinculado a empresa criminosa em abastecer na distribuidora”, destaca o delegado Uriel Alcântara, titular da 60ª (Campos Elíseos), responsável pelas investigações.

DIVISÃO DOS TRABALHOS

As tarefas dentro da organização criminosa eram divididas entre empresários proprietários, que eram os líderes do esquema; entre quem trabalhava dentro das garagens, fazendo o desvio do combustível; e os motoristas que transportavam o material, que avaliavam a quantidade a ser furtada de acordo com a fiscalização dos clientes, como postos, hospitais e empresas.

“A organização criminosa estruturada em Duque de Caxias, mas com atuação por todo estado, utilizava-se empresas de transporte de combustível legalmente constituídas para conferir licitude aos crimes cometidos por seus integrantes que, associados permanentemente e atuando de forma reiterada, praticavam crimes de furto qualificado, receptação e adulteração de combustível, crimes contra ordem econômica, ordem tributária, relações de consumo, crimes contra o meio ambiente e lavagem de dinheiro”, Iuri acrescenta.

As informações são do O Dia.

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