Go to ...

Jornal Liberdade

Últimas notícias do Brasil e do mundo

RSS Feed

NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA

Câmbio: Dólar R$ 3,901 – Euro R$ 4,432

agosto 16, 2018

© Adriana Zehbrauskas/The New York Times

Em um convento mexicano, uma salamandra em extinção aguarda a redenção


Pátzcuaro, México – No topo da colina mais alta desta cidade à beira de um lago, fica a Basílica de Nuestra Señora de la Salud, construída no século XVI, com paredes caiadas e colunas de pedra vermelha.

Em uma rua na esquina da Basílica, uma porta de madeira emoldurada por pedras esculpidas e marcada com uma Cruz de Fleuri fica aberta das nove da manhã às duas da tarde, e novamente das quatro às seis da tarde. “Nós rezamos por você”, diz uma placa em espanhol.

Lá dentro, a sala está quase vazia e escura, com apenas uma janela de madeira e três portas fechadas. Atrás delas há um convento, lar de duas dúzias de freiras da Ordem Dominicana.

Mas ele também abriga um número ainda maior de residentes muito inesperados: uma próspera colônia de salamandras ameaçadas de extinção. Os cientistas as chamam de Ambystoma dumerilli, mas as freiras e todos os outros em Pátzcuaro as chamam de “achoques”.

Cuidadas pelas freiras, cerca de 300 vivem em aquários de vidro e banheiras de esmalte branco em um longo corredor e dois quartos adjacentes ao convento. As religiosas se sustentam parcialmente vendendo um xarope contra a tosse chamado jarabe, feito da pele das salamandras.

Irmã Ofelia Morales Francesco inspeciona uma achoque da colônia de mais de 300 espécimes no convento de Pátzcuaro, no México

Irmã Ofelia Morales Francesco inspeciona uma achoque da colônia de mais de 300 espécimes no convento de Pátzcuaro, no México.

Mas as achoques da basílica são cada vez mais valiosas por outra razão.

Elas só são encontradas no Lago Pátzcuaro, e fora do convento o número de indivíduos diminui rapidamente. Há colônias menores em cativeiro em outros lugares em Pátzcuaro, mas nenhuma tão grande quanto a da basílica, ou seja, as perspectivas das salamandras na natureza podem ser críticas.

“É por isso que achamos que as freiras serão vitais no futuro”, disse Gerardo Garcia, curador e perito em espécies em extinção do Zoológico de Chester, na Inglaterra.

As salamandras são monstrinhos maravilhosos, com pele granular cor de mostarda Dijon. Assemelham-se às versões diminutas de Falkor, o dragão-cão voador de “A História sem Fim”.

Comparadas a outras espécies, elas são enormes as maiores podem chegar a 30 cm de comprimento, mas o que mais impressiona são suas guelras, filamentos exuberantes avermelhados que emolduram a cabeça como uma juba e ondulam suavemente na água.

Da redação, com informações de Geoffrey Giller do The New York Times.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais posts de Mundo

E-mail: Jornal Liberdade,