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março 20, 2019

João Brito Jr/OitoMeia

Governo nega que casos de tuberculose nos presídios do PI podem ultrapassar muros


Um dos detentos do sistema prisional do Piauí, identificado como Francisco Luciano dos Santos Nunes, de 26 anos, morreu vítima de tuberculose no hospital Penitenciário Valter Alencar, em Teresina. O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi), Kleiton Holanda, informou ao OitoMeia que o caso não é isolado e outros 23 casos foram registrados no sistema prisional do Piauí apenas durante o mês de dezembro.

Kleiton Holanda também declarou que dois servidores Hospital Penitenciário também foram identificados com tuberculose. De acordo com o sindicato, foram oito casos detentos diagnosticados com tuberculose na Casa de Custódia, seis na penitenciária Irmão Guido, três em na penitenciária de Vereda Grande, dois em São Raimundo Nonato, três na Major Cesar e um caso em Altos.

A preocupação imediata é de que os casos não se espalhem dentro da cadeias e penitenciárias e, principalmente, não atinjam a sociedade. Kleiton Holanda afirma que frequentadores do Sistema Prisional, como servidores, visitadores e advogados, são vulneráveis a contaminação e podem de servir de passagem para que a doença se espalhe fora dos presídios.

Para o presidente Sinpoljuspi, a situação é alarmante, pois faltam materiais básicos de higiene no Sistema Prisional do Piauí, como luvas e álcool gel para os servidores. Além disso, ele também critica falhas na divisão do detentos infectados em relação aos demais.

O detento Francisco Luciano dos Santos deu entrada na Casa de Custódia em 14 de dezembro e veio à óbito em 26 de dezembro. Segundo Kleiton, ele adentrou o Sistema já infectado com a tuberculose. “O problema é que eles já vem infectados com a doença e ficam com outros presos até que a doença seja diagnosticada”, afirmou.

A denúncia de Holanda é confirmada por informações preliminares do relatório feito pela coordenação da Secretaria de Justiça do Piauí (Sejus), com o levantamento de detentos contaminados. De acordo com o relatório, nove detentos apresentam o estágio inicial da tuberculoses. De todos os casos registrados, apenas um apresentou o sexto estágio da doença. “A maioria deles já chega infectado ao Sistema Prisional”, confirmou a assessoria da Sejus ao OitoMeia.

SEJUS: ‘NÃO É ALARMANTE’

Assessoria da Sejus declarou ao OitoMeia que os casos registrados no Sistema Prisional do Estado não podem ser considerados um surto. “A situação não é alarmante”, declarou. A assessoria da Sejus também contestou os dados repassados pelo Sinpoljuspi e afirmou que apenas nove detentos foram diagnosticados por especialistas da secretaria. “Os dados da Sejus são de um levantamento feito por especialista na área da medicina relacionada à tuberculose”, pontou por telefone.

“Em um universo de aproximadamente 4,4 mil presos, foram diagnosticados 10 casos, todos em tratamento: 02 na Penitenciária José de Ribamar Leite, quatro na Irmão Guido, três na Unidade de Apoio Prisional (UAP), um na Penitenciária Gonçalo de Castro Lima, em Floriano”, afirmou.

Através de nota, a Sejus também declarou que a coordenação acredita que o ocorrido se deve a uma intensificação da busca ativa de casos pelas equipes de saúde do sistema prisional.

COMO A SEJUS VAI LIDAR COM OS CASOS DE TUBERCULOSE NOS PRESÍDIOS

Nesta sexta-feira (03/01) a Sejus e Sesapi se reunirão para debater sobre os casos diagnosticados nos presídios.

A Sejus também ressaltou que existem dois projetos com foco em tuberculose em presídios em andamento. Um do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) para a implantação de laboratórios de diagnóstico da tuberculose dentro dos presídios, o que vai facilitar o diagnóstico dos casos suspeitos e consequentemente o tratamento de casos ainda no início da doença, facilitando a cura, e outro do Ministério da Saúde, voltado para a educação em saúde exclusivamente para a tuberculose.

SESAPI: ‘EVITAR QUE EXTRAPOLE OS MUROS’

A Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) declarou ao OitoMeia através de nota que intensificará a busca ativa em todas as unidades prisionais do Estado, com objetivo de evitar que a ocorrência de casos que extrapole “os muros”.

“No trabalho, também será intensificada a busca ativa em todas as unidades prisionais do Estado, com objetivo de diagnosticar precocemente e tratar os casos de tuberculose, para que a doença seja controlada ou mesmo erradicada, evitando assim outros contágios: aos funcionários e visitantes. Tal ação visa ainda evitar a ocorrência de casos que extrapole ‘os muros’”, pontou.

COMO A SESAPI VAI LIDAR COM OS CASOS DE TUBERCULOSE NOS PRESÍDIOS

A Sesapi afirmou que dará seguimento às ações de prevenção e diagnóstico da tuberculose, intensificando-as nas unidades prisionais, por meio do programa do Governo Federal, em parceria com diversas instituições, intitulado “TB nas Prisões”. A ação é trabalhada focando o lado educativo e feita em conjunto com a Secretaria de Justiça (SEJUS).

Da redação.

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